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22 de agosto de 2011

Essa dor de cabeça não some. Parece que ela se hospedou entre meus olhos assim que as responsabilidades de adultos chegaram e os sonhos de adolescente se foram. Acho que é assim que os adultos se sentem sempre e nem mais percebem, despercebendo; eterna dor entre os olhos.
O mais difícil de tudo isso é se acostumar com essas dores; dores nas costas, nas pernas, e, principalmente entre os olhos. Pensar no futuro não é mais sonhar, é, na verdade, obrigar. Não é brincar, é trabalhar.

Ah, e os óculos parecem mais pesados.

yesterday

3 de novembro de 2010

ê yesterday. fiz um desses testes bestas do facebook e deu que essa música é a que mais me define. não discordo, mas sei lá. ela é triste, né? hoje eu não tive meu encontro triunfal e cotidiano com a merda que sempre tava ali, entre o ponto de ônibus e a portaria do cursinho.

Quem também tava lá era o cara, o menino que tá na cidade grande, em paz, numa turbulência que encontra o belo nesse meio cinza e corrido, no mistério do perigo. tá lá, fazendo o que surge, inspirado, tão inspirado. produzindo açúcar doce pro café, ondas que deslizam dos dedos pros ouvidos tão naturalmente quanto as do mar, que vêm e vão. coisa linda, coisa louca. aqui eu vivo, num passado. melhor assim

só sei que cada dia que se passava mais eu passava olhando pra aquela merda no chão, que a cada dia mais se misturava com a a areia, que a cada dia ficava menos fresca, que a cada dia ficava mais seca e esbranquecia. eu imagino em planos. passavam os dias e os planos sequencia eram mais longos e mais longos. merda interessante essa, né? tão interessante que deve ter sido chutada por alguém desatento e que depois se deu conta quando sentiu um odor estranho o perseguindo.

[1 +(a fresta do quarto escuro está muito estreita.)]

heim?

17 de outubro de 2010

planos, planos. toda vez que eu começo a pensar nos meus planos, vem uma dúvida super cruel de se é bom planejar demais, ou não, se é melhor deixar passar e fazer o máximo de você em cada milésimo que passa, ainda mais depois que a gente perdeu uma hora com o horário de verão. mas, po, planejar é tão gostoso, sonhar é tão bom, imaginar o ‘como será’, se vai fracassar, se vai conseguir, se fez certo, se está fazendo certo, se essa saudade de tudo é sinal de que esse tudo presente tá errado e o tudo passado estava certo. NOSSA, QUE BAGUNÇA. depois de ver o episódio de anos incríveis que a karen vai embora (mas ela não vai embora), eu vi, nitidamente o meu sentimento de não pertencer a nada disso, de estar desajustada, de não ter a chave da fechadura pra esse mundo que eu tou vivendo. sim, é temporário, mas é torturante, convenhamos. o mais estranho é que isso tudo é extremamente cruel e divertido,  arriscado. a síntese de proteínas até fica interessante quando eu acabo me distraindo com elas, sem encarar aqueles desenhos e códigos com menosprezo. talvez seja melhor esperar e guardar um tempinho pra ver uns episódios de wonder years e september.

sem as conjunções e a coerencia no encadeamento de ideias eu me perco. não é bom às vezes se perder e vomitar milhões de pensamentos aparentemente sem ligações?

the machine

13 de outubro de 2010

culpa? essa angustia que parece NOW TESTIFYYYYYYYYYYYY

(a pior coisa que platão inventou) foi o amor.

5 de outubro de 2010

ontem eu lembrei de como eu me sentia, eu com ele. eu queria, naquela época, que as noites durassem pra sempre, que aquele amanhecer continuasse sem intercalar mais nada, que a música não tivesse fim. cada cena, cada palavra, cada copo de cerveja ou de café está na minha infinita película cerebral. hoje eu só sinto aquela saudade, uma saudade prazerosa, sem lamentações, sem arrependimentos, sem cobranças. é daquelas amizades relampagos que vão durar, dentro de mim, muito mais do que supostos anos de convívio.  é um não se importar com fatores corriqueiros, é ir direto ao assunto, é conhecer alguém com a sinceridade mais límpida, sem teatros, sem ‘será?’, completamente nu. é um infinito de pronomes indefinidos muito bem definidos.

um beijo do chico e muito cinema e poesia pra você também.

Godley & Creme

28 de setembro de 2010

aí sim o dia vale a pena quando se encontra por aí alguém que sabe conciliar som e imagem, literalmente. Os caras fazem sair dos movimentos visuais a música, do ritmo os movimentos. é uma sinfonia de imagens mais que genial. (se liguem no jogo de luzes da parte I)

pingos, provas e filmes

28 de setembro de 2010

Parar de errar e deixar passar as questões dos simulados da fuvest e as idéias, que são mais freqüentes no ônibus. Um pingo d’água que cai em queda livre sendo cada vez mais achatado pela resistência do ar que aumenta devido à aceleração (desculpa, tive aula de balística hoje) e se desmancha bem no meio da minha cabeça no instante seguinte ao qual o pensamento “ainda bem que eu saí de casa só depois que a chuva acabou”  me assombrou no dia de hoje. Acho que eu adoro essas situações frustrantes como pingos filhos da puta, que caiem das folhas das árvores exatamente no momento em que você está passando, ou do mp3 (sim, eu ainda uso mp3! Tecnologia pra quê?) que se desprende da lateral da sua calça bem no momento mais triunfante da música , mais especificamente quando eu estou usando essa trilha de plano de fundo pra imaginar alguma situação, claro, de triunfo, e, obviamente, de triunfos hipotéticos da minha pessoa.

Pessoas que ocupam quase dois assentos do ônibus também me irritam profundamente. É foda ter que ficar com uma perna pra dentro e outra pra fora do corredor e ainda se equilibrar durante as manobras radicais do motorista simpático. Tem ainda o cobrador que flerta comigo o caminho inteiro. Conclusão: eu tenho que fazer cara de feliz pra não afastar possíveis casos amorosos, ou, em melhores expressões, prazerosos (mentira, rs).

Ontem eu revi Manhattan e percebi de vez que ver filme com os pais é uma merda. Não, o filme não é repleto de cenas de sexo. É simplesmente horrível ver filmes como esse estando acompanhada. Mas claro, cinema é bem claro na sua proposta: uma sala escura cheia de pessoas e de relações INDIVIDUAIS com a tela. Saber que tem alguém ao seu lado é diferente de ver esse alguém e saber que todos podem te ver também. O escuro é privacidade. Daí que eu tiro as minhas conclusões do que é cinema ainda. É aquilo que precisa de você por inteira, sem interrupções, sem comentários, sem preocupações, completamente entregue à luz que chega aos seus olhos. Enfim, mesmo quando não se dá pra aproveitar tão bem, é sempre bom rever Manhattan.

Parar de errar e deixar passar as questões dos simulados da fuvest e as idéias, que são mais freqüentes no ônibus. Um pingo d’água que cai em queda livre sendo cada vez mais achatado pela resistência do ar que aumenta devido à aceleração (desculpa, tive aula de balística hoje) e se desmancha bem no meio da minha cabeça no instante seguinte ao qual o pensamento “ainda bem que eu saí de casa só depois que a chuva acabou” está me assombrando no dia de hoje. Acho que eu adoro essas situações frustrantes como pingos filhos da puta, que caiem das folhas das árvores exatamente no momento em que você está passando, ou dos mp3 (sim, eu ainda uso mp3! Tecnologia pra quê?) que se desprendem da lateral da sua calça bem no momento mais triunfante da música , mais especificamente quando eu estou usando essa trilha de plano de fundo pra imaginar alguma situação, claro, de triunfo, e, obviamente, de triunfos hipotéticos da minha pessoa.

Pessoas que ocupam quase dos dois assentos do ônibus também me irritam profundamente. É foda ter que ficar com uma perna pra dentro e outra pra fora do corredor e ainda se equilibrar durante as manobras radicais do motorista simpático. Tem ainda o cobrador que flerta comigo o caminho inteiro. Conclusão: eu tenho que fazer cara de feliz pra não afastar possíveis casos amorosos, ou, em melhores expressões, prazeroso (mentira, rs).

Ontem eu revi Manhattan e percebi de vez que ver filme com os pais é uma merda. Não, o filme não é repleto de cenas de sexo. É simplesmente horrível ver filmes como esse estando acompanhada. Mas claro, cinema é bem claro na sua proposta: uma sala escura cheia de pessoas e cheia de relações INDIVIDUAIS com a tela. Saber que tem alguém ao seu lado é diferente de ver esse alguém e saber que todos podem te ver também. O escuro é privacidade. Daí que eu tiro as minhas conclusões do que é cinema ainda. É aquilo que precisa de você por inteira, sem interrupções, sem comentários, sem preocupações, completamente entregue à luz que chega aos seus olhos. Enfim, mesmo quando não se dá pra aproveitar tão bem, é sempre bom rever Manhattan.

nó.

31 de agosto de 2010

Adoro associar os acontecimentos, os fatos e os passados que é cada pedacinho de um quadro que compõe minha obra vivida. Não sei, mas quando tudo isso acaba e começa uma nova fase, um novo pensamento, uma nova rotina, dá uma saudade tremenda do antes. Não que ele fosse melhor, mas dá saudade até daquela agonia que me rondava. O mesmo acontece quando penso no antes do antes. Tanta briga besta, tanta coisa que não tinha sentido e acabou se perdendo, quebrando-se por causa de um sei lá que provavelmente não existiu. Sinto falta até do incomodo que era olhar na cara de pessoas que eu tanto amava, mas não tinha coragem de me entender e entendê-las. Não que hoje eu queira entendê-las porque certamente elas nem se lembram do que se passava exatamente, assim como eu. O problema é que toda vez que uma música, um gesto, um olhar, uma expressão ou a minha miopia me faz olhar pra algo e ver o meu passado, dói. Acho que eu já providenciei umas medidas profiláticas pra que nada disso aconteça de novo. Certo, vai acontecer sim, mas em menos intensidade, isso eu garanto, haha. O mais legal é tentar apagar o final triste e ficar só com a parte bonita, usar o artifício do “Irreversível” e acabar o filme com a melhor notícia de toda a história de amor. O amor.

Amigo_do_tempo

9 de julho de 2010

Os meninos do Mombojó decidiram não mais dar cabimento para o ócio e lançar, depois de quatro anos, Amigo do Tempo. Com algumas mudanças na banda e no ambiente artístico (São Paulo), esse álbum é o que mais se difere do Nadadenovo e de Homem-espuma, que apresentavam mais características comuns que provavelmente devem-se ao espaço de tempo que se seguiram os dois primeiros álbuns (2 anos), enquanto o Amigo do Tempo só foi lançado 4 anos depois de Homem-espuma.

Em Entre a União e a Saudade a melodia pontua bem fortemente uma imagem de caminho a percorrer, de um rio descendo as montanhas, com uma rapidez que se mantém bem sitemática após a letra ser apresentada. “Me livrar da dor e voar”  parece o objetivo do eu-lírico ao percorrer esse caminho, libertar-se. Mas esse tal caminho, a própria noção de ter-se que desforrá-lo já não é uma prisão? A prisão de si mesmo? A prisão do outro?

Antimonotonia é angustiante, daquelas músicas sombrias que lembram cenas de filmes do Beto Brant extremamente urbanas. Esse ar meio misterioso que se alia a sons infantilizados (risadas macabras extremamente sarcásticas) resultando numa música ímpar dentro do álbum.

Animadinha, Passarinho Colorido é bem ágil e aceitável aos ouvidos do espectador principiante, pelo menos foi uma das que eu mais me empolguei na primeira vez que ouvi o álbum. Entretanto, essa agilidade peculiar pra banda acabou privilegiando o próprio ritmo e jogando à margem a palavra, tão prezada pelo mombojó. Essa foi a impressão que, depois de ouvir várias vezes o álbum, ficou pra mim. Por isso, é a faixa que eu menos aprecio.

Justamente é fatalmente, simplesmente, uma música que traduz muito bem a sensação que assombra o Amigo Do Tempo: a monotonia, o eterno, o ócio, o tempo, aquela vontade incessante de “ir além dos dias”. Ela é uma das minhas preferidas, e é também uma das que mais lembra os álbuns anteriores (olha a conservadora rs).

Taí. Outra música profundamente triste. Qualquer Conclusão me lembrou “Long Plays” do Pública. Não em melodia, ritmo ou sensação, mas no estilinho da letra. O cara compõe uma música pra dizer que sofreu por alguém, e que, agora, já passou. Que ela pode tirar “qualquer conclusão sobre o que quiser” dele e etc. Mas e aí? Se ele já esqueceu, já sofreu e já acabou mesmo, por que será que ele tem necessidade de fazer uma música e gritar isso pro mundo heim? Engraçadinho.

Praia de Solidão está entre as últimas colocadas no meu top inconsciente de faixas desse álbum. O início dela me agrada bastante, mas depois de alguns segundos, ela fica meio desengonçada e o fã broxa. Pelo menos eu broxei.

Ok, Casa Caiada é genial. Eu ainda vou descobrir sem trapacear a letra distorcida da introdução. “O barro da rua, a lama do bairro” hipnotiza. E sim, o tempo é o tema maior dessa música. Tempo, ócio, monotonia… parece-me que depois que os caras vieram pra São Paulo estão bem entediados. Ou não, rs.

Aumenta o volume, a princípio, é super linear, parece que não vai surpreender. E claro que isso não acontece. Ela assusta no refrão, mas depois a gente acostuma e entra no clima. “A gente aumenta o volume mesmo, e ‘esquece o impossível, desperta o infinito em seu olhar”.

Triste demais se define super bem com esse título. É daquelas “tristes demais pra televisão”, mas que, mesmo sendo carregada dessa negatividade, é do mombojó, e, sendo do mombojó, sempre tem uma mágica que encanta mesmo, que tranqüiliza apesar dos pesares. É estranho, mas é verdade. Aé, ela me lembra bastante a vida do Chinaski.

Finalmente a faixa que deu nome ao álbum: Amigo do tempo. Bem que Montaigne diz que a ociosidade te faz perder-se em si mesmo, em pensamentos sem conclusões e nem perguntas realmente pertinentes. Assim, “almejo ser um amigo do tempo, dar cabimento para o ócio é que não dou” é a primeira frase pronunciada por Felipe S. nessa faixa, e a sentença que resume a musica, que faz a gente entender que o eu-lírico quer o “espírito do tempo, zeitgastiando para não sobrar no vento”.

Papapa é minha preferida. Talvez seja um pouco porque é a última faixa, mas isso eu já é um mistério. Os samples inúmeros e também me lembram de um mombojó mais antigo, mas mesmo assim, completamente renovado, bem mais multiplicado musicalmente.

Acho que aquela áurea de São Paulo, do urbano bem acentuado, invadiu as músicas do mombojó, mas os caras não deixam de lado nem aquela essência rítmica que faz o som fluir, e escorregar nos ouvidos dos fãs, sempre com o sotaque bem carregado de Recife.

Top 20, primeira década do século XXI (Brasil-Mundo)

11 de junho de 2010

1- O Homem que não estava lá – Irmãos Coen (2001)


2- Um Homem Sério – Irmãos Coen (2009)


3- Bastardos Inglorios – Quentin Tarantino (2009)


4- Amor à Flor da Pele – Kar Wai Wong (2000)


5-  O Invasor – Beto Brant (2001)


6- Lavoura Arcaica -Luiz Fernando Carvalho (2001)


7- Match Point – Woody Allen (2005)


8- Amantes – James Gray (2008)


9- Cidade de Deus – Fernando Meireles (2002)


10-  Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças – Michel Gondry (2004)


11- Onde os fracos não tem vez – Irmãos Coen (2007)


12- A professora de piano – Michael Haneke (2001)


13- Medos Privados em Lugares Públicos – Alain Renais (2006)


14- O Homem que copiava – Jorge Furtado (2003)


15- Falsa Loura – Carlos Reichenbach (2007)


16- Violencia Gratuita – Michael Haneke (2007)


17- Ódiquê – Felipe Joffily (2006)


18- Estômago- Marcos Jorge (2007)


19- Os Sonhadores – Bernardo Bertolucci (2003)


20- Les amants réguliers – Philippe Garrel (2005)


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