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Essa dor de cabeça não some. Parece que ela se hospedou entre meus olhos assim que as responsabilidades de adultos chegaram e os sonhos de adolescente se foram. Acho que é assim que os adultos se sentem sempre e nem mais percebem, despercebendo; eterna dor entre os olhos.
O mais difícil de tudo isso é se acostumar com essas dores; dores nas costas, nas pernas, e, principalmente entre os olhos. Pensar no futuro não é mais sonhar, é, na verdade, obrigar. Não é brincar, é trabalhar.

Ah, e os óculos parecem mais pesados.

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yesterday

ê yesterday. fiz um desses testes bestas do facebook e deu que essa música é a que mais me define. não discordo, mas sei lá. ela é triste, né? hoje eu não tive meu encontro triunfal e cotidiano com a merda que sempre tava ali, entre o ponto de ônibus e a portaria do cursinho.

Quem também tava lá era o cara, o menino que tá na cidade grande, em paz, numa turbulência que encontra o belo nesse meio cinza e corrido, no mistério do perigo. tá lá, fazendo o que surge, inspirado, tão inspirado. produzindo açúcar doce pro café, ondas que deslizam dos dedos pros ouvidos tão naturalmente quanto as do mar, que vêm e vão. coisa linda, coisa louca. aqui eu vivo, num passado. melhor assim

só sei que cada dia que se passava mais eu passava olhando pra aquela merda no chão, que a cada dia mais se misturava com a a areia, que a cada dia ficava menos fresca, que a cada dia ficava mais seca e esbranquecia. eu imagino em planos. passavam os dias e os planos sequencia eram mais longos e mais longos. merda interessante essa, né? tão interessante que deve ter sido chutada por alguém desatento e que depois se deu conta quando sentiu um odor estranho o perseguindo.

[1 +(a fresta do quarto escuro está muito estreita.)]

heim?

planos, planos. toda vez que eu começo a pensar nos meus planos, vem uma dúvida super cruel de se é bom planejar demais, ou não, se é melhor deixar passar e fazer o máximo de você em cada milésimo que passa, ainda mais depois que a gente perdeu uma hora com o horário de verão. mas, po, planejar é tão gostoso, sonhar é tão bom, imaginar o ‘como será’, se vai fracassar, se vai conseguir, se fez certo, se está fazendo certo, se essa saudade de tudo é sinal de que esse tudo presente tá errado e o tudo passado estava certo. NOSSA, QUE BAGUNÇA. depois de ver o episódio de anos incríveis que a karen vai embora (mas ela não vai embora), eu vi, nitidamente o meu sentimento de não pertencer a nada disso, de estar desajustada, de não ter a chave da fechadura pra esse mundo que eu tou vivendo. sim, é temporário, mas é torturante, convenhamos. o mais estranho é que isso tudo é extremamente cruel e divertido,  arriscado. a síntese de proteínas até fica interessante quando eu acabo me distraindo com elas, sem encarar aqueles desenhos e códigos com menosprezo. talvez seja melhor esperar e guardar um tempinho pra ver uns episódios de wonder years e september.

sem as conjunções e a coerencia no encadeamento de ideias eu me perco. não é bom às vezes se perder e vomitar milhões de pensamentos aparentemente sem ligações?

(a pior coisa que platão inventou) foi o amor.

ontem eu lembrei de como eu me sentia, eu com ele. eu queria, naquela época, que as noites durassem pra sempre, que aquele amanhecer continuasse sem intercalar mais nada, que a música não tivesse fim. cada cena, cada palavra, cada copo de cerveja ou de café está na minha infinita película cerebral. hoje eu só sinto aquela saudade, uma saudade prazerosa, sem lamentações, sem arrependimentos, sem cobranças. é daquelas amizades relampagos que vão durar, dentro de mim, muito mais do que supostos anos de convívio.  é um não se importar com fatores corriqueiros, é ir direto ao assunto, é conhecer alguém com a sinceridade mais límpida, sem teatros, sem ‘será?’, completamente nu. é um infinito de pronomes indefinidos muito bem definidos.

um beijo do chico e muito cinema e poesia pra você também.

pingos, provas e filmes

Parar de errar e deixar passar as questões dos simulados da fuvest e as idéias, que são mais freqüentes no ônibus. Um pingo d’água que cai em queda livre sendo cada vez mais achatado pela resistência do ar que aumenta devido à aceleração (desculpa, tive aula de balística hoje) e se desmancha bem no meio da minha cabeça no instante seguinte ao qual o pensamento “ainda bem que eu saí de casa só depois que a chuva acabou”  me assombrou no dia de hoje. Acho que eu adoro essas situações frustrantes como pingos filhos da puta, que caiem das folhas das árvores exatamente no momento em que você está passando, ou do mp3 (sim, eu ainda uso mp3! Tecnologia pra quê?) que se desprende da lateral da sua calça bem no momento mais triunfante da música , mais especificamente quando eu estou usando essa trilha de plano de fundo pra imaginar alguma situação, claro, de triunfo, e, obviamente, de triunfos hipotéticos da minha pessoa.

Pessoas que ocupam quase dois assentos do ônibus também me irritam profundamente. É foda ter que ficar com uma perna pra dentro e outra pra fora do corredor e ainda se equilibrar durante as manobras radicais do motorista simpático. Tem ainda o cobrador que flerta comigo o caminho inteiro. Conclusão: eu tenho que fazer cara de feliz pra não afastar possíveis casos amorosos, ou, em melhores expressões, prazerosos (mentira, rs).

Ontem eu revi Manhattan e percebi de vez que ver filme com os pais é uma merda. Não, o filme não é repleto de cenas de sexo. É simplesmente horrível ver filmes como esse estando acompanhada. Mas claro, cinema é bem claro na sua proposta: uma sala escura cheia de pessoas e de relações INDIVIDUAIS com a tela. Saber que tem alguém ao seu lado é diferente de ver esse alguém e saber que todos podem te ver também. O escuro é privacidade. Daí que eu tiro as minhas conclusões do que é cinema ainda. É aquilo que precisa de você por inteira, sem interrupções, sem comentários, sem preocupações, completamente entregue à luz que chega aos seus olhos. Enfim, mesmo quando não se dá pra aproveitar tão bem, é sempre bom rever Manhattan.

Parar de errar e deixar passar as questões dos simulados da fuvest e as idéias, que são mais freqüentes no ônibus. Um pingo d’água que cai em queda livre sendo cada vez mais achatado pela resistência do ar que aumenta devido à aceleração (desculpa, tive aula de balística hoje) e se desmancha bem no meio da minha cabeça no instante seguinte ao qual o pensamento “ainda bem que eu saí de casa só depois que a chuva acabou” está me assombrando no dia de hoje. Acho que eu adoro essas situações frustrantes como pingos filhos da puta, que caiem das folhas das árvores exatamente no momento em que você está passando, ou dos mp3 (sim, eu ainda uso mp3! Tecnologia pra quê?) que se desprendem da lateral da sua calça bem no momento mais triunfante da música , mais especificamente quando eu estou usando essa trilha de plano de fundo pra imaginar alguma situação, claro, de triunfo, e, obviamente, de triunfos hipotéticos da minha pessoa.

Pessoas que ocupam quase dos dois assentos do ônibus também me irritam profundamente. É foda ter que ficar com uma perna pra dentro e outra pra fora do corredor e ainda se equilibrar durante as manobras radicais do motorista simpático. Tem ainda o cobrador que flerta comigo o caminho inteiro. Conclusão: eu tenho que fazer cara de feliz pra não afastar possíveis casos amorosos, ou, em melhores expressões, prazeroso (mentira, rs).

Ontem eu revi Manhattan e percebi de vez que ver filme com os pais é uma merda. Não, o filme não é repleto de cenas de sexo. É simplesmente horrível ver filmes como esse estando acompanhada. Mas claro, cinema é bem claro na sua proposta: uma sala escura cheia de pessoas e cheia de relações INDIVIDUAIS com a tela. Saber que tem alguém ao seu lado é diferente de ver esse alguém e saber que todos podem te ver também. O escuro é privacidade. Daí que eu tiro as minhas conclusões do que é cinema ainda. É aquilo que precisa de você por inteira, sem interrupções, sem comentários, sem preocupações, completamente entregue à luz que chega aos seus olhos. Enfim, mesmo quando não se dá pra aproveitar tão bem, é sempre bom rever Manhattan.